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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fernando Lindote

1960, Sant’ Ana do Livramento (RS), vive e trabalha em Florianópolis.
Antes de ser contemplado com a Bolsa Vitae, em 2000, ele pagava as contas no final do mês com o dinheiro recebido como pintor de paredes, um "trabalho exaustivo". "Agora tenho mais tempo e liberdade para criar", sorri.

Ao longo de vinte anos, Fernando Lindote já acusou passagem pela pintura, escultura,performance, fotografia,vídeo, instalação,variedade que se estende ainda por experiências em escala pública, trabalhos de inserção urbana, como também por um elenco considerável de trabalhos híbridos, obras que se valem da fusão de dois ou mais suportes. A pesquisa tão persistente de canais de expressão é por si só um aspecto que garante ao artista uma posição muito particular entre seus colegas de geração e mesmo entre os mais jovens. Embora desde os anos 1980 tenha ficado mais difícil encontrar um artista que se defina pela militância em um suporte específico, fenômeno que de resto se justifica,como queria Marcel Duchamp, na afirmação da arte como uma atividade que se define mais pelo aspecto intelectual do que por sua esfera artesanal, o fato é que Fernando Lindote vai além do que se espera. Acostumado com sua prolífica diversidade, seu público, ainda injustamente-reduzido, fica à espera dos previsivelmente novos rumos que ela imporá às suas pesquisas, o que é o mesmo que dizer que esse público está a espera de algo que sequer imagina o que seja. Desde a célebre afirmação de Maiakovsky, de que não existe conteúdo revolucionário sem forma revolucionária, se espraiou da literatura às artes visuais, o que se deu em proporções generalizadas a partir dos anos cinquenta, ficou estabelecida a necessidade de prospecção de novos suportes expressivos sem o quê se estaria forçosamente derrapando em noções já cristalizadas.. O curioso é que para alguns artistas a pesquisa do suporte passou a ser, a um só tempo, o meio e o fim da questão. Isto é, não se tratava apenas de descobrir as novas questões abertas pelos novos meios, mas de problematizar a fundo a função desses meios. Experimentando a canônica pintura até a performance documentada por vídeos, Fernando Lindote cai exatamente no segundo caso.Sua vasta e polifórmica produção parece indagar obsessiva e sistematicamente sobre a natureza de cada suporte expressivo, sua condição corporal. Não é por outro motivo,assim me parece, que seu trabalho coloca o próprio corpo como um problema recorrente a ser investigado sobre os mais variados aspectos. Fonte e instrumento primeiro de toda expressão, o corpo deve ser analisado, por exemplo,à luz dos gestos que ele produz, isto é, sua capacidade de modificação do mundo. O desejo de formalização que é intrínseco ao homem, seu impulso em negar a natureza, termina por alterá-la em níveis variados.

Entre os espaços em que realizou individuais estão o Museu de Arte Contemporânea de Curitiba, PR (Desenho/escultura, 2004), Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, SP (Experiências com o Corpo, com curadoria de Agnaldo Farias, 2002) e Museu Victor Meirelles em Florianópolis, SC (Muito Perto, 2002). Entre as coletivas recentes destacam-se: em 2006, No Olho do Outro (Centro Cultural de Espanã, Montevideo, Uruguay); em 2005, V Bienal do Mercosul (Porto Alegre, RS), O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira (Itaú Cultural, São Paulo/SP) e Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP).


O artista plástico mordendo EVA, uma das técnicas de sua obra.

Imagens da produção de Fernando Lindote:


Barbotina sobre tela, ass. dt. 2005.


Esguicho no mar IV.


Gravura digital, ass. dt. 2009.


Outro porco empalhado, 2000. Homenagem a Nelson Leirner que o contemplou com a Bolsa Vitae: "Quis questionar e acabei sendo contemplado", comemora.

Fontes
Fernando Lindote na SP-ARTE (português)
A ousadia estética de Fernando Lindote (A Notícia - português)
Individual de Fernando Lindote (Portal Onne - português)
Fernando Lindote na Galeria Gestual (português)

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